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Livro de recados de sereiamar

sereiamar
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O soneto de uma nota só.
Canta a sorte e canta a vida.
Canta a morte esvaída.
Canta a dor, se tu vais.
Por quem vem, aqui jaz.

O soneto de uma nota só.
Canta notas e mais notas.
Repetidas com ardor.
Mas isso, só quem nota,
É quem ouve com sabor:

Com sabor de fruta mordida.
Com sabor de taça sorvida.
Com sabor de doce vinho.
Com sabor de cheiro de linho.
Com sabor de vento no rosto.
Com sabor de vida no dorso.
Com sabor de cantos.
Com sabores tantos,
Que é difícil saber,
Se o sabor,
É do ouvinte ou do cantor.

O soneto tem muitas notas.
E quem ouve é só ti.
Elas é que decidem
Se tu choras ou se ri.

Corações dilacerados.
Corações encantados.
Corações inflamados.
Corações arrancados.
Corações entre os dentes.
Corações inexistentes.
O soneto revela-os.

O soneto tem sete notas,
Tem sete cores e sete vidas.
O soneto tem sete faces:
Para cada uma das feridas.

Se tu ouves o soneto,
Uma lança te atinge,
Seu calor se extingue.

O soneto de uma nota só,
É tocado por ti
12:19 - 25/11/2006
sereiamar
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Tu dizes que sou anjo...
Talvez seja, quem sabe?
Mas... se fosse...
(Alertar-te se faz necessário)
Seria daqueles que caíram
Por vontade ou castigo
Pela esperança, motivados
De sentir as humanas expressões
Da Terra, atraídos pelo chão
Abandonando os etéreos espaços
As luzes e os celestes campos
Ansiosos por paixão.
Não seria daqueles anjos belos
Suaves, perfeitos...
E sim daqueles rudes, caricatos
Rebeldes, curiosos...
Confusos, tolos.
Talvez eu, um anjo fora,
Que por ser mais mulher
Que anjo,
Preferira cair que subir,
E agora, que é caído,
Permanecer quer assim
Porque assim conheceu
O mais profundo sentimento humano
Aquele que tu, despertaste em mim
O que mais sentir faz
Todas as humanas sensações
E que saber me fez
Que uma mulher é capaz
De todas as angelicais percepções
O que o faz, mesmo que fera,
Um anjo!
09:27 - 23/11/2006
sereiamar
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Virtual

Pedaços que se encaixam
Sorrisos que se encontram
Vontades que se desejam,
Toques que já se sentem.
O silêncio que se rompe no teclar,
As vidas que se encontram a cada pensamento
O sonhar que se agita a cada segundo
Faz-nos crescer em sentimentos.
Os desejos que se cruzam,
Rompem as feridas deixadas pelo tempo.
Perdidos em delírio o vôo é lançado,
E o pouso dar-se-á
Somente no horizonte mais brilhante
Onde chegaremos a qualquer hora,
Sem sequer sairmos do lugar.
10:39 - 21/11/2006
sereiamar
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Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos, por todos os filhos
que gostaríamos de ter tido junto
e não tivemos, por todos os shows
e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho
é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos
de ter para ir ao cinema, para conversar
com um amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco, mas por todos
os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais
profundas angústias se ela estivesse
interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim
que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos
e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou em nós
um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço
de que o desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional....
10:07 - 21/11/2006
sereiamar
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[red][b] [u] [:0][b]Se algum dia eu soubesse
que nunca mais veria você...
eu lhe daria um abraço mais forte.
Se eu soubesse que seria a última vez a ver você...
eu lhe daria um beijo
e o chamaria para dar mais um.
Se eu soubesse que seria a última vez
a ouvir a sua voz....
eu gravaria cada movimento e cada palavra,
para revê-los depois todos os dias.
Se eu soubesse que seria a última vez
que eu poderia parar mais um ou dois minutos
para dizer-lhe: "gosto de você"...
eu diria, ao invés de deixar que você presumisse.
Se eu soubesse que hoje seria o último dia
a compartilhar com você...
o sentiria muito mais intensamente
em vez de deixá-lo simplesmente passar.
Sempre acreditamos que haverá o amanhã
para corrigir um descuido...
para ter uma segunda chance de acertar.
Será que haverá uma chance para dizer:
"posso fazer alguma coisa por você"?
O amanhã não é garantido para ninguém,
seja para jovens, ou mais velhos,
e hoje pode ser a última chance
de abraçarmos aqueles que amamos.
Pense.
09:59 - 21/11/2006
sereiamar
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O crepúsculo é um tempo de partilhar.
De dar as mãos e perceber
o odor suave e o frescor da terra,
a profusão de cores, criando matizes
no encontro sereno de dois mundos.
O dia que, lentamente, apaga suas luzes,
rendendo-se aos encantos
e doçuras do anoitecer.
Magia da hora em que todas as coisas
perdem suas linhas e formas,
e mergulham seu volume na escuridão.

O crepúsculo é um tempo de sentir.
De sentir a vida, de mergulhar no passado,
tocar no presente, sonhar no futuro,
encontrar-se no espaço,
viajar nos sonhos...
Momento sem tempo, sem sombras,
sem laços, sem nuvens, sem sons...
A mágica do instante
que traz todo o tempo para um tempo só.

O crepúsculo é um tempo de encontro.
De tornar-se um com todo o universo,
acender sua própria luz na suave escuridão,
fazer silêncio e escutar a noite,
abrir o espírito, entender seus mistérios,
encontrar, sem véus, o próprio coração.
18:58 - 19/11/2006
sereiamar
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Existe um lugar
Onde os sonhos fazem parte
E a realidade também.
Onde o céu é azul.
O imenso mar é cristalino
Cheio de algas, peixes corais...
Existe um lugar,
Uma ilha,
Onde mora o amor...
É aqui que eu te espero.
No azul do céu... no verde do mar...
Ao som dos pássaros... no calor do sol...
Na fresca brisa.
Existe um lugar.
O nosso lugar...
Dentro de nossos dois corações
Que pulsam feito um só.
Eu amo você!
18:35 - 19/11/2006
sereiamar
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A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente.

Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,
o afeto no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe
não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece
depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim,
sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido
a respeito dos mesmos fatos que impressionam,
comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com, nem sentir contra,
nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente,
mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado,
não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar
o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando é falar,
jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas
quanto das impossibilidade vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou
sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressão do outro
sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.
18:14 - 19/11/2006
sereiamar
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Queria poder escrever um poema
um único e derradeiro poema,
um que falasse aos corações e mentes
e que fosse capaz de transformar toda esta gente,
em pessoas menos cínicas, menos frias e descrentes.

Queria poder escrever um poema,
um único e verdadeiro poema,
que fosse capaz de nos revelar todo o mistério,
que nos mostrasse que a alquimia dos tempos,
é o mais claro sinal da renovação.

Queria poder traduzir em versos
todo a magia de uma madrugada em seus braços,
com lua cheia testemunhando em silêncio
coisas que a mais ninguém é dado o direito de ver.

Queria poder escrever um poema
que mostrasse a força e a beleza
do sol amanhecendo lá fora,
todos os dias já faz tanto tempo,
não conheço manhãs de sol tão lindas
como as que eu já vi por aqui.

Queria poder traduzir em palavras
a nostalgia de um entardecer,
numa beira de praia,
com brisa macia acariciando o meu corpo,
com o barulho das ondas emoldurando o silêncio...
Que bom que você é capaz de entender!

Queria poder escrever um poema,
um que fosse o mais contundente dos poemas,
que pudesse nos mostrar em versos
uma fonte cristalina, uma nascente,
as águas de um rio, as águas do mar,
as nuvens escuras, sinal de tormenta,
a chuva inclemente a fecundar a terra,
a fertilizar o solo, a germinar a semente...
No ciclo das águas um soneto a ressurreição!

Queria poder escrever um poema,
só um lindo e definitivo poema!
Como não posso e por que ainda não sei,
só me resta ficar aqui a rabiscar este texto,
um rascunho apenas!
Um projeto de poema que, tomara Deus!
Um dia eu possa merecer escrever.
18:08 - 19/11/2006
sereiamar
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Não chorem no rio
da minha dor
Não bebam na taça
da minha alegria
São ópios de fantasias
deste poeta sonhador

Vê a mística luz nas trevas
Deista por natureza
No escuro das cavernas
encontra magia e beleza

Navega com o coração
por oceanos de rimas perdidas
No barco da solidão
refrigera dores partidas

Vive primaveras douradas
em pleno inverno da alma
Sobre o véu de estrelas apagadas
chora lágrimas de prata

Morre no ocaso de cada dia
nos braços dos líricos poemas
Entrega-se a doce letargia
destes loucos estratagemas
18:04 - 19/11/2006

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